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Nascimento


Após um ano e alguns meses de existência, temos a notícia de que nossa primeira edição já alcançou a marca de 50 mil visitas – isso somente a edição #0, nosso projeto piloto. Para um projeto independente, sem patrocínio e apoio cultural, conseguimos uma boa visibilidade. Depois de algumas edições, decidimos retratar temas de interesse público, como agora, em que, próximos do Natal, falamos sobre  nascimento. Na edição #9 vamos falar sobre o novo, sobre o que está por vir. Sempre com graça e leveza, mais uma vez trazemos nossos colunistas e seus brilhantes artigos e reflexões sobre o contemporâneo. São textos curtos mas que trazem profundidade. Poesia, fotografia, cinema, artes plásticas, desenho e entrevistas se fazem presentes na Kalango #9. Como sempre, estamos abertos à sugestões e críticas. Seja nosso parceiro, nosso amigo e companheiro. Compartilhe. Divulgue. Apoie essa ideia.

Voltamos a qualquer momento, aguardem…

Bom final de ano a todos!

Tem coisas que você só encontra aqui, na Kalango.

Leia a Revista: http://www.myebook.com/ebook_viewer.php?ebookId=105309

Conheça a Edição #0: http://www.myebook.com/ebook_viewer.php?ebookId=42732

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Quer anunciar? Mande um e-mail ou ligue (11) 7515-2335

Nessa edição: Led Brazil Cover. Amne Farias, Ana Procopiak, Claudinei Nakasone, Delta9, Horácio Coutinho, Jean Takada, Laura Aidar, Luciana Meinberg, Marcelino Lima, Leonardo Boff, Luis Pires, Moriti Neto, Orivaldo Biagi, Osni Dias, Paulo Netho, Roberto Bittencourt, Thiago Cervan, Wagner Melo e Weberson Santiago.

Kalango é uma ideia e já tem 50 mil acessos em sua primeira edição. A revista nasceu do desejo coletivo de jornalistas, poetas, artistas, educadores, fotógrafos, músicos e naturalistas que apostam na cultura, na informação e na palavra como último recurso em defesa da liberdade, da evolução humana e do despertar de possibilidades. Como entoa a canção de Mano Brown, líder dos Racionais MC: “a palavra é minha arma e tenho muita munição”. É preciso comunicar! Registrar, criticar, mudar convicções e assegurar a cidadania. Por isso, queremos fazer jornalismo com beleza, poesia, pluralismo e emoção sem cegar os olhos. A razão nos conduzindo sempre. 

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Publicado por em 6 06America/Bahia dezembro 06America/Bahia 2011 em Uncategorized

 

Identidade

Prezados,

Na edição número 8 da Kalango convidamos nossos leitores a refletirem sobre o que é e como se constitui o sujeito humano em sua totalidade e incompletude. Eis a IDENTIDADE, subjetividade-objetivada em permanente dinâmica de transformações. Processo aberto e inacabado, que envolve afetos, escolhas, determinações sociais, relações interpessoais, representações que fluem no trabalho, na mídia, nas redes sociais, na aldeia, no campo, nos espaços urbanos.
Projeções e identificações que também se expressam na arte e na música, como nas canções que marcaram a geração dos anos 80 e que, segundo Kid Vinil e Nasi, provam que o bom e velho rock´n roll ainda não morreu. Ou como o Sarau do Manolo, espaço alternativo criado por jovens que celebram o novo em poesias, músicas e arte audiovisual. Ou, ainda, como o ensaio fotográfico que, nesta edição, celebra um dos grandes dançarinos e coreógrafos do país, o sul-mato-grossense Rilvan Barbosa.

Boa Kalango para todos!

Ana Melo

Leia a Kalango aqui: http://issuu.com/osnidias/docs/kalango8.2

Baixe a Kalango  aqui http://www.mediafire.com/file/pbacwq2ua00f7aw/KALANGO8.2.pdf

 
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Publicado por em 16 16America/Bahia setembro 16America/Bahia 2011 em Uncategorized

 

São Paulo

 

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Claudinei Nakasone

Fotos: Luis Pires

Canto a cidade das neblinas
e dos viadutos
minha cidade
amante de futebol e vendedora de café
Os aventureiros bigodudos
como nas fitas da Paramount
o Friedenreich pé de anjo
e a bolsa de mercadorias
as chaminés parturientes do Brás
os quinze mil automóveis orgulhosos
no barulho ensurdecedor dos Klaxons
e a cultura envernizada dos burgueses
os engraxates da Praça Antônio Prado
e o serviço telegráfico do “Estado”
a febre do dinheiro
as falências sírio-nacionais
a especulação sobre os terrenos
a politicagem dos politiqueiros
e a negra de pó-de-arroz
a até os bondes da Light
para o Tietê das regatas e dos bandeirantes
os homens dizem que tu és ingrata
e que devoras teus próprios filhos…
Mas que linda madrasta tu és
Toda vestida de jardins
minha cidade
Amo também teus plátanos nostálgicos
Imigrantes infelizes
tuas ruas longas de casas baixas
e teu triângulo provinciano…

LEIA A KALANGO (Em setembro a edição #8)

Mais sobre jornalismo colaborativo, poesia, cinema, música e arte, na edição completa da Kalango, aqui http://revistakalango.wordpress.com/2011/07/11/kalango7/

Leia aqui http://issuu.com/osnidias/docs/kalango7

Ou baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/u2fbflk667cyshr/KALANGO7.pdf

 

 

 

 

 
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Publicado por em 6 06America/Bahia setembro 06America/Bahia 2011 em Uncategorized

 

No tempo dos quintais

Seo Oswaldo, Kalango avohai: saudade dos quintais

Marcelino Lima

Brinquedo era sabugo. Ou toco. Assustador era morcego no abacateiro e, perigoso, cair no poço. Dependendo do bairro, ser picado por cobra. Longe era ir de bicicleta. De ônibus, ave-maria! Inocência era colocar passarim morto na forquilha mais alta do pessegueiro: Deus sempre vinha buscá-lo. Ou comer a “gelatina” da mesma árvore, depois da chuva, para jamais ficar velho. Autoridade era o pai. E que festa quando ele nos levava à feira ou ao armazém! Felicidade era chupar uma laranja, ainda sentado na barraca. Tomar uma Grapette, geladinha. Ou voltar para casa com os bolsos cheios de bala! Medo só se sentia quando São Pedro resolvia lavar o céu e arrastava móveis, provocando curtos-circuitos do diabo, oh! Santa Bárbara e São Jerônimo, valha-nos os terços e os ramos bentos. Ou quando os mais velhos liam à luz de lamparinas ou de lampiões histórias de assombração de gelar a barriga. E por falar em coisas do além, morrer era apenas virar uma estrela, ter a mesma sorte de nossos avós. E viver um tempo sem relógios. Sem muros. Com toda a liberdade possível dos quintais. Apesar dos poços, os quintais eram o mundo. E com muitas vantagens, viviam coalhados de maria-pretinha, de amora, de gabiroba…

Marcelino Lima nasceu em Bela Vistado Paraíso, no Paraná. É jornalista formado pela PUC-SP, com pós-graduação em Teoria da Comunicação pela Cásper Líbero (SP). Escreve regularmente na Kalango.

LEIA A KALANGO

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Publicado por em 12 12America/Bahia agosto 12America/Bahia 2011 em Uncategorized

 

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Vida de cão

Imagens: Jean Takada
Em meados dos anos 90, um grupo  preocupado com o abandono dos animais começou a se reunir na Câmara Municipal de Atibaia com o intuito de criar uma associação que, envolvendo a comunidade, promovesse ações de interesse público. Três anos depois dos encontros, nascia a AVA – Associação Vidanimal, decretada de utilidade pública pela Lei 2696, em maio de 1996. O objetivo da Associação é promover e fomentar uma nova filosofia de convivência com os animais, a fim de que a sociedade conquiste, enfim, um status de civilidade. Em parceria com a Prefeitura da Estância, foram criadas ações na área da saúde e, ao mesmo tempo, de amparo ao sofrimento dos animais. Anos depois, em 2001, foi criada uma Lei Municipal para regular a atuação da Secretaria da Saúde, dos agentes do Poder Público e também dos fiscais da Protetora dos Animais, estabelecendo normas e diretrizes nesse sentido.

Em razão do grande número de animais abandonados e vítimas de maus tratos levados para a sede da AVA, ela foi notificada a abandonar o espaço reservado para esse cuidado – o artigo 34 da Lei fixa a quantidade máxima de 10 animais em espaço localizado em área urbana. “Na antiga sede ficavam mais de 30 cães. Todos os dias a sede amanhecia com pedras, pedaços de pau, ovos, laranja, tudo jogado no quintal pelos vizinhos”, desabafa Elsa Sartoratto Takada, diretora da entidade.

O imóvel ficou em péssimas condições de utilização e hoje passa por reformas para, futuramente, gerar renda para as ações da AVA. “O que recebíamos era insuficiente para continuarmos nosso trabalho. Realizamos vários mutirões (de castração), mas o custo é alto, além da prestação de contas. Se não obtivermos 2 mil reais mensais não temos condições de ir adiante”, diz.

Os maus tratos lideram os casos envolvendo os animais, além do abandono. Segundo Anne Yamato, médica veterinária do Santuário dos Animais e voluntária da AVA, diminuiu muito o número de cães nas ruas. “A castração diminui bastante o número de animais nas ruas, mas ainda encontramos muitos filhotes”. Segundo ela, em 2010 foram realizadas 870 castrações, entre cães e gatos. Anne vai além do profissionalismo. “Além de profissional, ela também é protetora. Se recebe animais em condições ruins, ela cuida, muitas vezes até sem cobrar”, observa Elsa Takada.

“Sempre fui protetora”

“Sou protetora desde os meus 10 anos de idade”. Assim Elsa Takada se define, contando histórias que lembram muito sua infância. Ela revela que sempre morou em lugares grandes, em meio a cavalos, vacas, cachorros, enfim, “tudo o que você possa imaginar”. E relembra uma de suas aventuras. “Uma vez um boxer de um tio se perdeu no mato. Andei quase 15 dias atrás dele, mas o achei caído em um buraco, era só um esqueleto, sem as unhas, por tentar sair do buraco em desespero. Pena que já estava morto”. Elsa diz que o legado veio da família. “Quando vejo cães sofrendo, nas casas, não consigo ficar imune. Isso eu herdei do meu pai, ele era protetor e não sabia”. E aponta a posse responsável como uma solução para resolver a questão dos maus tratos. Segundo ela, muita gente recolhe um animal quando é pequeno, bonito, não consome muita ração e não dá gastos. Quando cresce, o animal consome mais, exige medicação, maior higiene e aí aparecem os gastos e, consequentemente, o abandono. “Antes de adotar um animal, é preciso ter responsabilidade. Nosso trabalho é também de conscientização”, alerta.

VEJA TAMBÉM

Com 1.800 animais, ONG vira “campo de refugiados” no Rio Grande do Sul
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/06/19/com-1800-animais-ongvira-campo-de-refugiados-no-rio-grande-do-sul.jhtm

http://noticias.uol.com.br/album/110619cachorros_album.jhtm#fotoNav=10

Nos EUA, contratos especiais garantem cuidadocom os animais depois da morte do dono
http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/internacional/2011/06/26/nos-eua-contratosespeciais-garantem-cuidado-com-os-animaisdepois-da-morte-do-dono.jhtm

Hipermercado é suspeito de capturar e matar gatos no interior de SP
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/06/22/hipermercado-e-suspeitode-capturar-e-matar-gatos-no-interior-de-sp.jhtm

LEIA A KALANGO

Mais sobre jornalismo colaborativo, poesia, cinema, música e arte, na edição completa da Kalango, aqui http://revistakalango.wordpress.com/2011/07/11/kalango7/

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Publicado por em 5 05America/Bahia agosto 05America/Bahia 2011 em Uncategorized

 

Guia do Sucesso

Por Mario Sérgio de Moraes*

Um dos meus alunos de Mogi, em 2010, foi convidado para ingressar no Partido Republicano (PR). Outros dois de São Paulo foram chamados, agora, para compor os quadros do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Acenaram para eles com um “presentinho”: a candidatura a vereador. Pois bem, eles me interrogaram sobre o beneficio ou não desta missão (ou submissão?).  Fiquei perplexo na resposta. Mas, inspirado na vitória do Tiririca – que recebeu o convite e apoio de nobres políticos mogianos – achei a solução. E ofereço aos moços sete conselhos de sucesso. Que agora publico:

1. Eis o sucesso-rápido. Seja esperto. Aceite a melhor mercadoria dos dias de hoje: o conchavo. E qual a melhor carreira? É a política. Mas como fazer? Construa uma pirâmide. Aos do andar de cima obedeça, como “office boy de luxo”. E aos de baixo, eleitores, ofereça promessas.

2. Eis o sucesso-longo. Seja persistente. Fique ao lado do poder e sempre situacionista.  E atenção: só faça elogios aos mandantes.

3. Eis o sucesso-assistencialista. Seja paternal. Crie uma associação caritativa. Não destas incentivam a independência e participação critica dos mais fragilizados. Isto é bobagem. Ao contrário, crie espetáculos onde só os doadores mostrem o quanto amam os “invisíveis” do dia a dia.

4. Eis o sucesso-aparência. Seja uma “marca”. Lembre-se: as pessoas curtem imagens. Porte altivo. Nariz para cima. Sorridente e simpático com um “arzinho” de oferecer prosperidade a todos.

5. Eis o sucesso-religioso. Seja penitente. Vá a cultos onde surjam salvações instantâneas. Atenção: sente-se humildemente na primeira fila com um semblante piedoso. Nos problemas jogue a culpa no Demônio. E pelas soluções busque as contribuições em prol da fé e caridade. Deus por R$ 1,99.

6. Eis o sucesso das palavras. Use frases de efeito: “Estamos inaugurando uma nova fase”; “É preciso superar desafios, acreditando em si mesmo”; “Só o amor constrói”. E, se possível, ao final do discurso use palavras em inglês como “low profile”. Mesmo que outros não entendam, não tem importância. Pega bem!

7. Eis o sucesso-volta por cima. Seja esperto. Se der alguma coisa errada, não fique desesperado. Renegue firmemente o que fez e insista nos erros. Mas como? Recomece do item 1 e prossiga ao item 6, fazendo um novo marketing. Você verá como muitos se esquecem do que aconteceu.

E, depois destes conselhos, se o aluno novamente perguntar: “até onde posso chegar?”. Responderei: longe de mim!

* Mario Sérgio de Moraes é Doutor em História pela USP e Conselheiro do Instituto Vladimir Herzog

Mais sobre a entrevista, jornalismo colaborativo, poesia, cinema, música e arte, na edição completa da Kalango, aqui http://revistakalango.wordpress.com/2011/07/11/kalango7/

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Publicado por em 31 31America/Bahia julho 31America/Bahia 2011 em Uncategorized

 

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Como biografar alguém vivo

Divulgação/Rui MendesEm julho de 2010 encontramos João Luiz Woerdenbag Filho – o Lobão e Claudio Julio Tognolli – considerado um dos mais brilhantes profissionais na área do jornalismo investigativo do país, no Congresso da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), em São Paulo, para a palestra 50 anos a mil: como biografar alguém vivo. O livro, lançado em 2010, chegou a ocupar o terceiro lugar no ranking dos livros mais vendidos na categoria não-ficção da Livraria da Folha. Abaixo, Tognolli fala como foi o processo de produção do trabalho. Publicado na Kalango #7.

“No livro do Lobão fizemos, em princípio, uma série de gravações dele, ou seja, registramos suas confissões”, explicou Tognolli. O jornalista explicou que o exercício da biografia pressupõe um método, mas Lobão não se sentiu confortável com essa ideia. Foi então que ele teve a percepção de que o contato com o gravador não era interessante e decidiu mudar sua estratégia, abortando o método inicial. Tognolli passou então a investigar a vida do biografado. “Almoçava com o Lobão três vezes por semana, acompanhado por um amigo jornalista”. Nesse processo, que durou aproximadamente um ano, o jornalista comprou todos os bancos de dados possíveis sobre o artista. Esse processo ele chamou de “aggiornamento” (de agiornar, ordem do dia). Depois disso, passou todo o material às mãos de Lobão. Lobão foi ainda questionado sobre determinados acontecimentos em sua vida, fatos marcantes e bastidores de sua carreira. “É necessário perguntar ao entrevistado o que ele pensava naquele momento”.

A segunda fase foi mais técnica. Tognolli pegou de empréstimo várias  biografias. Uma delas trazia, ao final dos capítulos, “o outro lado” da história. Foi quando apresentou a ideia a Lobão, de trazer personagens para confrontar os fatos, confirmando ou destruindo o que ele havia escrito, ou seja, potencializando esses momentos. “Lobão fez descobertas de si mesmo. Uma delas de que era esteta do Comando Vermelho – facção criminosa do Rio de Janeiro – na época em que teve contato com o grupo, na prisão.

A terceira parte do trabalho foi uma busca por processos, documentos com advogados, enfim, material do tempo em que a figura do músico se tornou vítima das autoridades policiais e foram criados certos estereótipos do músico, como “elemento mal formado socialmente, psicopata e epilético”, entre outros, termos encontrados em documentos da época. Entretanto, o músico disse ao jornal O Globo que “todos que comentam sobre o livro se impressionam com o grau de  doçura que a narrativa apresenta”, garante. “É um livro elegante, presumo. Não vou brincar com a história de uma vida que tenho tanto carinho e orgulho. Fazer uma autobiografia requer muita responsabilidade, atenção e generosidade no coração.” Na última fase, já no processo de edição, Tognolli foi ao encontro do produtor Roy Cicala

(50 anos a mil), que produziu um disco que seria lançado com o livro. Para se ter uma ideia, Cicala mixou as músicas dos álbuns de Lennon, de Imagine (1971) a Double Fantasy (1980). Ao final, Tognolli revelou que o almoço diário com Lobão fez parte de um processo de rechecagem. E conclui que a paciência é um exercício, pois, segundo ele, nesse momento o entrevistado tem os “insights” em seu processo de reflexão. Agora é ler o livro e conferir.

Claudio Julio Tognolli é professor da ECA/USP e membro da Abraji http://www.abraji.org.br/

http://twitter.com/#!/claudiotognolli

http://www.lobao.com.br/bio.php

Veja entrevista do programa Entrelinhas, da TV Cultura, aqui http://www.youtube.com/watch?v=JOluFqoVNWc

 

MP3 e trechos do livro, aqui: http://www.ediouro.com.br/50anosamil/default.php

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Publicado por em 29 29America/Bahia julho 29America/Bahia 2011 em Uncategorized

 

A menina que passa

Amne Zinha*

As marcas nos seus olhos tristonhos
O colorido de suas asas a flutuar sonhos e poeira
Numa fantasia faceira
Num último suspiro de vida
Cunhada na terra vermelha

No barro
Na simplicidade da arte
Na delicadeza da aurora
No tempo que não veio

Aquilo que um dia belo dançava entre as flores
Aplacando suas maiores dores
Seus lençóis
Sua sina de menina
Sua coleção de tempestades
De pedras e punhais
De véus acetinados
Da espera tranqüila de quem passa
De quem virá e de quem veio

Triste sina
Dos seus olhos tristes
Da fantasia faceira
De um sonho amanhecido
O Pó.

* Amne é poetinha e acadêmica de Publicidade e Propaganda.
Mais em http://amnenoteatrodepalavras.blogspot.com/

Jornalismo colaborativo, poesia, cinema, música e arte, na edição completa da Kalango, aqui http://revistakalango.wordpress.com/2011/07/11/kalango7/

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Publicado por em 26 26America/Bahia julho 26America/Bahia 2011 em Uncategorized

 

Félix Contreras, ou melhor, Feliz Contreras

Textos: Osni Dias 

Fotos: Marta Alvim

Félix Contreras, defensor da revolução cubana, da música e da literatura da ilha de Fidel, continua jovem, vibrante e feliz. Amante do saboroso café brasileiro e do tradicional charuto cubano, o jornalista e escritor, de passagem por São Paulo, concedeu uma entrevista exclusiva na residência da jornalista e artista plástica Marta Alvim, onde abordou a Revolução
Cubana, a música e a poesia, numa descontraída conversa de quase duas horas, ao lado da também jornalista Flávia Amaral Resende. Autor dos livros La Música Cubana, Una Cuestión Personal, Porque Tienen Filin e Eu Conheci Benny
Moré, Contreras é taxativo: “Minha identidade é Cuba”, diz ele, rebatendo a provocações de uma jornalista paulistana sobre sua relação com a ilha. A seguir, fragmentos dessa conversa reveladora de um dos ícones da cultura cubana, que entre um gole e outro de  café, nos mostra uma outra faceta da ilha.

Construção de uma nova cultura
Existe um precedente que vocês conhecem. A revolução cultural cubana não
começou com a revolução, em 1959, começou no século XIX. Os burocratas cubanos não gostam que eu fale assim, mas eu não sou um burocrata. Eu tenho uma visão própria. A Revolução Cubana começou a fazer a grande revolução culta da ilha, graças a uma herança – grande, ou melhor, fabulosa – que foi a riqueza cultural do século anterior, com grandes pensadores. Entre eles, um padre católico maravilhoso, Félix Varela, que iniciou um pensamento próprio da ilha, ou seja, o cubano começou a pensar como cubano, não como espanhol. José Martí e José Caballero, com a revolução cubana, potencializaram essa herança. É difícil explicar a grandeza que herdamos.

Literatura
Para mim, o melhor romance da América Latina veio com Cecília Valdés. De Cuba
surgiu também um dos maiores poetas do século XIX. Falo sem medo de arriscar que é o melhor. Seu nome é José Maria de Heredia. Grande poeta, pensador, botânico, cientista e gravurista. Herdamos toda essa grandeza cultural do século XIX que, pela primeira vez em Cuba, tem um governo de homens cultos como Fidel Castro, por exemplo, que era advogado. Hemingway, em suas memórias. Che Guevara, que era médico e poeta.

Guerras de Independência
Temos um país onde a cultura sempre caminhou de mãos dadas com escritores,
poetas, romancistas. A primeira Guerra de Independência em Cuba durou 10 anos,
aconteceu de outubro de 1868 a 1878. Ela foi comandada por poetas, um dos líderes
se chamava Carlos Manuel De Céspedes. A segunda Guerra de Independência,
contra a Espanha, durou de 1895 a 1898 e foi idealizada e comandada por um
grande homem, talvez o homem mais importante de Cuba até hoje, José Martí. A
última revolução, de caráter de libertação nacional, foi comandada por Fidel Castro,
Ernesto Che Guevara e Camilo Cienfuegos, homens de cultura. Essa é uma coisa que
surpreende: Cuba sempre fica grávida de intelectuais.

Revolução cubana
Eu sou de uma província chamada Pinar Del Rio. Naquele momento, eu era um rapaz de 20 anos de idade, com segundo ano primário, que havia começado a trabalhar com 9 numa loja de frutas. Graças a essa revolução socialista, aquele garoto que pensava em uma carreira, uma formação, começou a sonhar. Não participei da luta armada, não tive esse privilégio, mas foi uma coisa muito bonita, me lembro bem do primeiro dia da Revolução… Eu me lembro que em abril de 61, saiu em todos os jornais da ilha: “Garotos que querem ir para Havana seguir carreira, todas as carreiras e profissões, devem se apresentar na Prefeitura”. Eu fui correndo, eu era engraxate, na rua. Minha mãe fazia sacrifícios para eu poder comer. Eu mesmo, hoje, sentado aqui, juro: penso que ainda é um sonho, se tudo aquilo era
verdade.

Novidade
Uma das coisas mais importantes da Revolução Cubana e que quase ninguém
conhece, vou contar agora. É um dos fatos mais importantes da cultura cubana.
Quando aconteceu a Revolução, o Che, com aquela visão, de olhar muito
longe, disse ‘nós vamos desenvolver Cuba dentro de 10 anos. Vamos precisar
de muitos intelectuais, cientistas e médicos, temos que nos preparar para
os próximos anos. Precisamos trazer jovens das províncias para estudar em
Havana. Vamos dar formação a eles, criar poetas, escritores, jornalistas. Fidel
disse a ele: “você ficou louco com a descida da Sierra Maestra? Onde vamos
colocar esses cinco mil caipirinhas?” “É muito fácil”, respondeu: “Nos hotéis”.
Os melhores hotéis eram para o turismo americano, a beira-mar. Ali eu estudei
por cinco anos. Graças ao socialismo cubano aquele garoto de província que
não tinha mãe nem pai, nem o que comer, hoje tem livros publicados em 14
países. Isso só aconteceu com uma revolução radical, e não reformista – por um
governo que coloca em primeiríssimo lugar a ciência e a cultura.

Século XX
A primeira década do século XX, muito antes do triunfo revolucionário, viu
surgir grandes escritores, romancistas, contistas e poetas. Na década de 30,
mais ainda. Aparece a estética nova, quando começa a mistura da cultura
negra com a cultura branca e o surgimento da grande música e da literatura
afro-cubana, bem como a poesia negra, com poetas de destaque. Na década
de 40, aparece a melhor revista de literatura da América Latina, a Origens,
de um grupo de poetas de mesmo nome. Aparece pela primeira vez o “conto
novo”, um novo romance e a música, que foi de uma riqueza enorme – aparece
o mambo (1942), para mim, o melhor gênero da música cubana, e também o
cha-cha-cha, na década seguinte, quando floresce também o cinema.

Cinema cubano
Como Cuba pode produzir um cinema tão bom, tão desenvolvido? A nossa
sorte é que a burguesia cubana sempre teve inclinação pela cultura. O
consagrado diretor Tomaz Alea se notabilizou dirigindo Morango e Chocolate,
é estudioso do novo realismo italiano. Conto isso para reforçar a ideia de que
a revolução explorou aquela herança de um maravilhoso passado cultural. O
propósito da revolução era continuar aquela, anterior.

Divergências

Nós brigamos muito com os soviéticos. Cuba não aceitou a imposição de um
modelo. Em julho de 1977 o governo cubano mudou todo o Ministério da Cultura,
composto por políticos dogmáticos. Atualmente um grande intelectual cubano
ocupa a pasta da cultura, o Abel Prieto, homem que enfrenta Fidel e o contesta
publicamente. “Vocês poetas vivem muito bem, não tem o que reclamar”, disse
uma vez Fidel Castro. Prieto logo lhe respondeu: “Mentira sua, nós poetas somos
como todo e qualquer trabalhador cubano”. É uma piada, disse logo Fidel. “A piada
é sua e uma piada de Fidel custa muito”, devolveu o ministro.

Década de 80
Aconteceu uma nova explosão da cultura, com uma nova geração de escritores,
poetas, músicos e cineastas. Eu sou do primeiro grupo de poetas nascidos graças
à revolução, sou membro da nova poesia, grupo esse nascido em 68, chamado
Caimán Barbudo (jacaré com barba, que simboliza a rebeldia), todos formados pela
revolução.

A ausência do Che
Era uma figura importante, um exemplo. Mais do que a revolução, gostaria de falar
sobre o pensamento da revolução. Um verdadeiro revolucionário é sempre crítico
e Che era um homem crítico, claro, naturalmente. Quando Che desembarca do
México, em 56, já vinha com uma formação intelectual, um homem que dizia as
coisas de memória. O chamavam de “loco” Guevara e diziam que ele não podia
ser revolucionário,pois “vive lendo poesia, é um bicha, maricón”. E Che recitava…
Era um homem romântico, um verdadeiro revolucionário. Atirava, mas também lia
livros com poemas de amor. Um homem completo. Quando eu estudava, ele e Fidel
faziam visitas às escolas. De madrugada. Eu dizia “filhos da p…, vem nos acordar de
madrugada e ainda ficam conversando até amanhecer”, lembra, aos risos…

Leia também: Entrevista de Félix Contreras para a revista Caros Amigos:
http://carosamigos.terra.com.br/index_site.php?pag=revista&id=149&idite
ns=775

Entrevista de Jotabê Medeiros, para o Estadão:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100821/not_imp598106,0.php

Sobre Caimán Barbudo http://www4.usp.br/index.php/saude/9890

http://www.caimanbarbudo.cu/

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Publicado por em 22 22America/Bahia julho 22America/Bahia 2011 em Uncategorized

 

Paulo, George, João e Ricardo

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Lucy Meinberg*

Caro leitor, entre no submarino amarelo para mais uma viagem mágica e misteriosa.

Dessa vez temos a companhia de quatro fábulas: Paul, George, John e Ringo. Não diga que são pessoas de lugar nenhum.

Ao que parece eles enviaram seus covers, caídos do céu com a Lucy e seus diamantes, e levantaram uma pequena multidão que se encontrava ali no Pub, em Atibaia.

Disseram que viram até o Sargento Pimenta e Jude no meio do público, e até quem os viu cantando junto.

Durante todo o show a maioria se manteve ali, cantando, de braços erguidos e até pedindo músicas, muitos jovens levantaram-se e dançaram músicas que foram sucesso muito antes de suas mães terem nascido. Também pessoas de mais idade que provavelmente estavam vendo ali uma parte da adolescência, relembrando alguns momentos. Talvez até realizando, pelo menos uma parte de algum sonho de vê-los tocando.

É fácil viver com os olhos fechados.

O clima estava propício à comparação de que pareciam mesmo os Beatles tocando no Cavern Club. Assim como você é ele e você é eu e nós somos todo mundo…

O show acabou e todos se dispersaram. Já era tarde e estava frio.

Provavelmente passaram pelos campos de morango e foram embora…

(No final, o amor que você recebe é igual ao amor que você faz.)

* Luciana Meinberg é acadêmica de Jornalismo da FAAT Faculdades.

Leia mais sobre os Beatles:

The Beatles – A história por trás de todas as canções
Autor: Steve Turner
Tradução: Alyne Azuma
Idioma: Português

São 208 músicas gravadas pelos artistas mais influentes do século XX. São 208 histórias explicando a mágica de cada uma delas. Em cerca de 380 páginas e mais de 100 ilustrações em cores, a edição reúne a gênese das canções mais importantes do cenário musical internacional. O que o jornalista, biógrafo e poeta inglês Steve Turner faz em The Beatles – a história por trás de todas as canções não é apenas explicar os significados ou os bastidores técnicos das composições da banda. Sua proposta é mostrar como elas nasceram e quais episódios as inspiraram: de frases do dia-a-dia até notícias de canto de uma página de jornal.
3ª reimpressão, 2011

http://editora.cosacnaify.com.br/ObraSinopse/11349/The-Beatles—A-hist%C3%B3ria-por-tr%C3%A1s-de-todas-as-can%C3%A7%C3%B5es.aspx

Um dia na vida dos Beatles
Autor: Don McCullin
Tradução: Cláudio Marcondes
Textos: Don McCullin, Paul McCartney
Idioma: Português

No verão de 1968, no auge da fama mundial após o lançamento do “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, os Beatles estavam no meio do processo de gravação do “Álbum branco”. Para eles, a época da inocência ficara para trás. Em meio à turbulência política generalizada, eles eram os ícones globais de uma geração em revolta. Em julho daquele ano, resolveram convidar Don McCullin, um dos mais experientes fotógrafos de guerra do mundo, para fotografá-los durante um dia inteiro. Don, que havia acabado de cobrir os violentos combates da Ofensiva do Tet, na Guerra do Vietnã, ficou perplexo com o convite. Era um domingo, dia 28, foi ao encontro dos Beatles num estúdio do jornal Sunday Times, em Londres, e os fotografou para a capa da revista Life.
Com seu estilo sombrio característico, McCullin usou cerca de 15 rolos de filme para registrar a banda da Old Street até a área de Limehouse, voltando até a casa de Paul no bairro St. John’s Wood. Embora a existência das fotos fosse conhecida por muitos, quase todas essas imagens permaneceram inéditas. Para a geração que viveu aqueles anos, elas despertam lembranças comoventes de uma antiga juventude. Para os mais jovens, apresentam o vislumbre da história concentrado em um único dia.

http://editora.cosacnaify.com.br/Loja/PaginaLivro/11549/Um-dia-na-vida-dos-Beatles.aspx

The Beatles – antologia
Tradução: Ana Luiza Dantas Borges, Beatriz Karan Guimarães, Cid Knipel Moreira, Cláudio Nascimento
Textos: Brian Roylance, George Harrison, John Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr
Idioma: Português

Registro definitivo dos eventos em torno da banda até 1970, escrito pelos próprios integrantes e completado por entrevistas concedidas a programas de televisão e para a produção do vídeo The Beatles Anthology. Inclui entrevistas especialmente feitas com Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. A compilação de palavras de John Lennon foi supervisionada por sua mulher, Yoko Ono. [Com pré-visualização na tela].

http://editora.cosacnaify.com.br/ObraSinopse/10499/The-Beatles—antologia.aspx

 
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Publicado por em 19 19America/Bahia julho 19America/Bahia 2011 em Uncategorized

 
 
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