Mulher nas estrelas

Hemerson Brandão

Ela é um nome a ser lembrado na história da ciência nacional. Beatriz Leonor Silveira Barbuy, paulistana, astrofísica, foi no final da década de 60 que ela decidiu dedicar sua vida às estrelas.

Ainda muito jovem, ao ler um livro de George Gamow, um dos físicos mais importantes do século XX, Beatriz escolheu ser astrônoma. Graduada em física e mestre em astronomia pela USP, fez seu doutorado pela Universidade de Paris. Sua carreira acumula passagens por importantes institutos ao redor do mundo e a participação e coordenação de projetos de pesquisa em astronomia.

Atualmente, quando não está participando de congressos ou comitês internacionais, ela passa a vida esquadrinhando as estrelas mais velhas de nossa galáxia, estudando minuciosamente os elementos químicos que as formam.

Suas pesquisas já renderam descobertas publicadas na revista britânica Nature, e já foram a base para uma nova teoria sobre rotação das estrelas. Foi no dia internacional da Mulher, em 2009, que ela foi agraciada com o prêmio internacional “L’ORÉAL-UNESCO 2009 para Mulheres na Ciência”. No mesmo ano a Revista Época listou Beatriz como um dos 100 brasileiros mais influentes do ano. Hoje, ela é considerada um das melhores cientistas do país.

Diferente da visão romântica que muitos ainda têm do astrônomo que fica durante toda a noite com o olho no telescópio, ela passa boa parte do seu tempo na frente de um computador, recebendo através da internet as informações enviadas por observatórios ao redor do mundo.  É dessa forma que as descobertas mais fascinantes do Universo têm sido realizadas.

Marie Curie, a física polonesa que recebeu dois Prêmios Nobel no início do século passado pelas pesquisas em radioatividade, é uma cientista que Beatriz tem forte admiração. Outras mulheres que lhe inspiram são a astrônoma francesa Catherine Cesarsky e a geneticista brasileira Mayana Zatz.

Mesmo nos dias de hoje, as mulheres na ciência é ainda assunto de debates e estudo. A ascensão das mulheres na ciência tem aumentado em nosso país nas últimas décadas, mas não na mesma velocidade que tem ocorrido em outros países.

Faltam políticas de divulgação pra mostrar que a ciência pode ser feita por qualquer pessoa, inclusive pelas mulheres. “Isso já ocorreu no passado com as engenharias, o que tem mudado ao longo dos anos, embora ainda não o suficientemente”, lamenta a astrônoma.

Assim como os homens, as mulheres possuem a mesma capacidade intelectual para participar da aventura do conhecimento proporcionado pela ciência. Faltam-lhes oportunidade e incentivo.

No Brasil, um país de tamanho continental, elas representam 51% da população. Desprezá-las é perigoso. O que seria da ciência brasileira sem as mulheres? “Simplesmente perderia metade de seus cérebros”, diz Beatriz.

Foto: Beatriz Barbuy, quando ela se tornou membro estrangeiro da Academie des Sciences em Paris. (Arquivo Pessoal)

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