A paixão por balões

Balões no Rio de Janeiro

Thamires Silva

No século XIII, na China, os balões já faziam parte da cultura – para reverenciar os mortos e homenagear os imperadores. A arte foi trazida para ocidente, quando Marco Polo, viajando com sua família aprendeu através de sua amizade juvenil com Kublai Khan. Na Espanha, uma família soltou um balão, ao reverenciar São Roque, padroeiro da região, criando assim um hábito religioso passado de geração para geração.

No Brasil, o balão foi trazido pelos portugueses ao celebrarem a Festa de São João. A Festa Junina é tradicional do Nordeste, no mês do aniversário do santo, em agradecimento pela chuva e pela colheita. Como o festejo sempre acontecia ao ar livre a soltura do balão de papel indicava para a população o início da festividade.

Entendendo que o balão subia por sua leveza, o santista Bartolomeu de Gusmão, “O Padre Voador”, cogitou usá-lo para flutuar. E desta forma, após vários experimentos, surgiu “Passarola”, criação que desenvolveu com ar quente em agosto de 1709, quando já inserido em Portugal conseguiu a patente do “instrumento para se andar pelo ar” e adquiriu com ele (ainda pequeno para caber pessoas) levantar 4 metros na Sala de Audiências do Palácio, perante a Família Real. Em outubro, na ponte da Casa da Índia, mais uma vez aos olhos do reino, com um balão já maior,  mas sem tripulantes, voou 200 pés de altura, sendo considerado o Pai da Aerostação por desenvolver o flutuador aerostático, o que atualmente seria conhecido como aeronave.

Apesar de tantos acontecimentos históricos, a prática de soltar balões no Brasil é proibida devido aos riscos de incêndio. Para que essa tradição não caísse no esquecimento, um grupo de baloeiros elaborou, nos anos 90, o Balão Ecológico – possibilitando sua soltura, pois não tem fogo. Fábio Souza, carioca de 39 anos, praticante dessa paixão há 25, nos explicou como é feito o balão e o que o difere do balão normal.  Segundo ele, o Balão sem Fogo (BSF) consegue subir por meio do calor solar (fonte de energia térmica), não precisando da tradicional bucha. É confeccionado com papel de seda, material biodegradável, que não prejudica a natureza. Sua cor predominante é preta, na superfície, para que absorva mais calor, conservando o ar quente.

Fábio é um entusiasta da arte de criar balões. “A gratificação de um pedaço de papel se transformar em obra de arte é inigualável, não há dinheiro que pague tamanha emoção”. Nesse meio há premiações, mas não costumam criar disputas. “Tudo que se faz pensando em ganhar algo gera consequências e, no final de tudo, isso não é legal”, diz ele.

Quer saber mais sobre balões ecológicos, arte e cultura? Visite a Kalango: http://issuu.com/osnidias/docs/kalango15

1 comentário Adicione o seu

  1. Irineu cirino disse:

    Tenho muita sorte de ter assistido e algumas vezes participado de festivais de baloes na decada de 80. Na epoca eu meus 2 irmaos(infelizmente o mais velho ja nos deixou em 2000) e mais 4 amigos tinhamos uma turma nao muito conhecida aqui no campo limpo z/s chamada de LOBOS DA NOITE. Soltamos muito mais muito bsloes juntos o que me da muita saudade hoje.Infelizmente essa maldita emissora chamada Rede Globo acabou com nossa arte. Mais valeu pois tive o previlegio de ter participado da melhor epoca de baloes que foi na decada de 90. Festivais como o das equipes Uniao, Saudade, valle, Resgate e muitas outras equipes que se for citar aqui fico ate amanha escrevendo. Bom,um abraço a todos.

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