Nagueta na área!

Nagueta

Por Jesse Navarro, com foto de Randolfe Camarotto e Elaine Mello

Na cena independente osasquense há sete anos, a banda Nagueta está ficando cada vez mais conhecida do público fora da cidade. O grupo reúne gerações, tendo na sua formação atual desde um trombonista de 14 anos (Fê Oliveira) até um percussionista de 36 (Douglas Frassini). Eles têm boas composições próprias, que misturam MPB com groove e até um pouco de samba-rock. Na noite, eles tocam de tudo, menos os “quero tchu-quero tcha” da vida.  A formação atual conta com Roger Silva (vocalista, 30 anos), Rauf Lacerda (guitarrista, 32 anos), Ivan Motta (baixista, 29 anos), Kelson Martins (baterista, 21 anos), Douglas Frassini (percussionista, 36 anos), Eric Araújo (19 anos, trompetista e tecladista) e Fê Oliveira (14 anos, trombonista).

Nagueta: nome de banda tem origem controversa – Há controvérsias sobre a origem do nome NaGueta, dado pelo músico Neco Gurgel. Segundo Roger, “o Neco estava vendo um ensaio nosso e disse que tínhamos uma pegada legal e que estávamos ‘nagueta’ de fazer um som. Fiquei com esse nome na cabeça, mas o pessoal da banda não curtiu muito. Alguém chegou a zoar dizendo que Nagueta é a mulher do Nogueto”, diz, aos risos. “Depois peguei o Neco de orelha no bar e ele disse que se tratava de uma gíria muito antiga do samba, que significa fissura. Estou ‘nagueta’ de tomar uma, ‘nagueta’ de fazer um samba… Acabou virando o nome do nosso grupo.”

Procuramos Neco Gurgel, que deu outra explicação para o termo. “NaGueta significa o que vem de dentro da quebrada, é jamaicano, vem de into the gheto, no gueto. Não se escreve tudo junto, embora não exista gramática para gíria. É uma forma de mostrar para os outros que você é uma pessoa sem fronteiras, que não se deve fechar os olhos para quem está do seu lado. Quando fiz uma jam com eles, expliquei que é preciso ter nagueta, ou seja, mais pau duro, nada de formulinha Jota Quest. O Roger entendeu a idea e deu esse nome para o grupo”.

Quase não abrem para O Rappa – Uma das maiores aventuras da banda foi quando foram ao Expo Oeste, em dezembro de 2009, com a intenção de serem uma das bandas que iriam abrir para O Rappa. Chegaram lá e ouviram do responsável pelo som que não estavam na programação. “Foi um dos maiores empurrões da minha carreira”, diz Roger. “Esse cara era um gaúcho chamado Vidal. Além de dizer que não íamos tocar, ainda perguntou: ‘vocês queriam tocar, mas não trouxeram um técnico de som?’. O pior é que tínhamos avisado todos os amigos, feito vaquinha para produzir os flyers, imagine, oito mil pessoas na plateia. No final, o cara acabou dando um jeito. Primeiro disse que só tinham três canais na mesa de som. A gente ia encarar. Depois ele parou de sacanagem e liberou os outros canais. Tocamos e foi show de bola.”

Depois do show, os músicos ainda ouviram piada do responsável pelo som. “Dei um CD pro cara e ele chamou a banda de Pimenta Malagueta. Então disse para ele não brincar, não. Um dia a gente pode estourar e, quem sabe, ele não acabe tendo que trabalhar para nós.”

 Trombonista tem 14 anos de idade – Atualmente a banda batalha tocando em bares e festas, contando com um músico de apenas 14 anos de idade, o trombonista Fê Oliveira, que não faz muito tempo ganhou seu instrumento de presente do Dia das Crianças. “Na primeira apresentação na noite, não me deixaram tocar”, lembra o menino de ar comportado. “Não bebo, não uso drogas, estou bem esperto com essas coisas.” Reunir gerações é a especialidade da banda. O trompetista Eric Araújo começou no grupo aos 15 anos. Ambos começaram a tocar na Fanfarra da Fundação Bradesco do Jardim Conceição, periferia de Osasco.

A ligação com seus bairros de origem é forte. Sempre dão uma mexida no som “W Brasil”, de Jorge Ben Jor, trocando a parte que fala que “a Feira de Aracari é um sucesso “ por “a Feira do Jardim Cirino é um sucesso”, O repertório é bem eclético, incluindo MPB, funk, soul, pop-rock, reggae, samba-rock… “É uma mistureba de estilos, legal para uma noite no bar, mas não venha pedir ‘quero tchu’ que não rola”, esclarece Roger. “Já temos até uma versão de Sociedade Alternativa pronta para quando alguém grita toca Raul.”

Falta bar para tocar em Osasco – A ligação dos músicos com suas origens pode ser forte, mas eles são indignados com a falta de reconhecimento da própria cidade. “Falta bar para tocar. Falta incentivo. Falta um monte de coisa. E o pior é quando eles fazem a Festa do Trabalhador no 1º de Maio para uma multidão, chamam o Exaltasamba e deixam todos os grupos locais de fora”, reclama o guitarrista Rauf. O baixista Ivan espera pela aprovação de uma lei que impeça isso. “Ouvi dizer que serão obrigados a colocar pelo menos 20% de atrações locais nessas ocasiões”, explica. Vamos esperar para ver.

Jesse Medeiros: apresentador na TV Osasco (Drops) e Ladrão de Discos (Rádio Som da Hora)

Mais em: www.youtube.com/giralata

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