Drama real rende bom filme

Luis Pires *

Alguns filmes passam quase despercebidos nos cinemas, mas mereciam destino melhor. “As Sessões”, que chega agora às locadoras em versões DVD e Blu-Ray é um deles. O filme é baseado na história real de Mark O’Brien que, na década de 1950, contraiu poliomielite aos seis anos de idade, perdendo os movimentos do seu corpo do pescoço para baixo. Por conta da doença podia passar apenas algumas horas fora de um aparelho feito de aço que o ajudava a respirar, apelidado por ele de “pulmão de ferro”.

Suas limitações físicas, porém, não o impediram de estudar. Frequentou a Universidade de Berkeley, se tornou jornalista, poeta e advogado, defendendo pessoas portadoras de necessidades especiais. Também fundou uma pequena editora que utilizou para publicar poemas de pessoas como ele. Morreu em julho de 1999, aos 49 anos.

A trama de “As Sessões” é baseada num artigo escrito por O’Brien para a revista Sun, no qual descreve sua amizade com Cheryl Cohen-Greene, uma “sex surrogate” (algo traduzível como parceira sexual substituta), espécie de terapeuta sexual surgida nos Estados Unidos nos anos 1950. Incompreendidas, muitas vezes confundidas com prostitutas, essas profissionais atendiam a pacientes com sérios problemas sexuais, familiarizando-os com o corpo feminino e, não raras vezes, mantinham com eles um número limitado de relações sexuais. O’Brien tinha 38 anos quando contratou a terapeuta Cheryl, com o intuito de perder sua virgindade. Como era católico fervoroso, externou seu plano ao padre Brendan (de quem também se tornou amigo) e só o levou adiante depois da benção do vigário.

O filme conta com três grandes interpretações. Mesmo limitado por seu personagem, que mexia somente o pescoço e a cabeça, John Hawkes consegue transmitir ao espectador o conflito de O’Brien por conta de seu desejo sexual x sua religiosidade, sua insegurança por desconhecer o corpo feminino e seu medo de que as coisas não funcionassem bem. William H. Macy interpreta o padre também em conflito por apoiar o plano de seu fiel, mesmo indo contra as leis de sua igreja, que proíbe o sexo fora do casamento (lembrem-se que a ação se passa nos anos 1950!). E finalmente Helen Hunt, como Cheryl, uma terapeuta em crise no seu casamento, que tenta fugir da armadilha de se envolver emocionalmente com seu fascinante paciente. Muitos conflitos tratados com leveza e humor pelo veterano diretor polonês Ben Lewin (pouco conhecido no Brasil) Um filme surpreendentemente bonito, sensível, quase poético. Assista.

Para ler a Kalango na íntegra, entre AQUI.

*Luis Pires é jornalista, assessor de imprensa e fotógrafo.

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